domingo, 12 de setembro de 2010

Baleia encalhada em SC


Biólogos e veterinários se revezam para monitorar as condições de saúde do animal. Frio na região pode estar adiando morte natural. (Foto: Divulgação, PBF/Brasil e APA da Baleia Franca)


Os biólogos e veterinários que acompanham o estado de saúde da baleia encalhada desde terça-feira (7) na Praia do Sol, em Laguna (SC), decidiram, neste domingo (12), aplicar uma nova injeção letal para acelerar a morte do animal, que tem muita dificuldade para respirar e machucados devido ao contato da pele com a areia.
Na sexta-feira (10), a baleia franca recebeu uma primeira aplicação de sedativos e relaxantes com o objetivo de eutanásia, mas, até o momento, o animal permanece vivo. Desta vez, portanto, os especialistas pretendem usar outros tipos de medicamentos. O objetivo é viabilizar o procedimento para realizá-lo o mais breve possível, conforme explica a Diretora de Pesquisa do Projeto Baleia Franca, Karina Groch.
"Os esforços estão concentrados na viabilidade deste novo procedimento que, mais uma vez, exige altas dosagens de medicamentos", declarou Karina, que é Ph.D. em Biologia Animal e desenvolve pesquisas sobre a espécie há 16 anos. "Este encaminhamento foi dado pois, pelo terceiro dia consecutivo, o mamífero não apresenta nenhum quadro diferente daquele que já tínhamos desde sexta-feira, que era o de baixa frequência respiratória e reflexo nas pálpebras do olho direito. A estabilidade destes sinais vitais faz com que não tenhamos uma estimativa sobre quantos dias mais ela poderá resistir nesta condição", justificou.
De acordo com comunicado enviado pelo PBF, as médicas veterinárias Kátia Groch e Cristiane Koslenikovas afirmaram que, segundo a literatura científica, baleias com mais de 10 metros que encalham vivas apresentam maior resistência e podem levar mais de quatro dias até que ocorra a morte natural. Além disso, o fato do encalhe ter ocorrido numa região de clima frio é um dos fatores que pode estar contribuindo para este cetáceo resistir por tanto tempo, pois um dos principais fatores que aceleram a morte dos animais encalhados é a hipertermia (aumento da temperatura corporal), que ocorre em função da incidência solar, comum em períodos de altas temperaturas ou em regiões de clima predominantemente mais quente.
Caso a baleia franca sobreviva a mais esta noite, o monitoramento das condições clínicas e a coleta de amostras continua nesta segunda-feira. A coordenação das operações é integrada pela APA da Baleia Franca, Centro Mamíferos Aquáticos, Projeto Baleia Franca, R3 Animal e Unesc. Entre as instituições apoiadoras estão o Porto de Imbituba, Udesc, Laboratório Mamíferos Aquáticos (Lamaq) da UFSC, Capitania dos Portos de Laguna, Polícia Militar e Ambiental, Corpo de Bombeiros, Prefeitura de Imbituba, Prefeitura de Laguna, Adventure Turismo, Reloc, Arivale/Copagro, Casa das Baterias, Instituto Baleia Franca e Base Cangulo/AGTA.
A primeira dose de medicamentos aplicada na baleia havia sido maior do que a recomendada por causa do tamanho e espécie do animal que tem 15,80 metros de comprimento e pesa cerca de 40 toneladas. De acordo com Karina, o óbito era esperado para 40 minutos após o término do processo, que ocorreu por volta das 18h30 da sexta-feira. Porém, passadas mais de 50 horas, o animal ainda preserva os sinais vitais.
No sábado (11) os voluntários passaram o dia todo jogando baldes de água para evitar o ressecamento da pele, mas o animal já está bem machucado. Kátia Groch, médica veterinária e doutoranda em Patologia Animal com cinco anos de experiência com baleias da espécie jubarte, realizou o procedimento de coleta de amostras do borrifo (ar expelido pelos pulmões) do animal que está encalhado em Laguna para analisar o material e averiguar a existência de doenças pulmonares que podem ter motivado o encalhe.
Após o óbito se confirmar, será realizada a necrópsia da baleia e, segundo a gestora da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca do Instituto Chico Mandes (APA), Elizabeth Carvalho da Rocha, a carcaça será enterrada na região do encalhe, provavelmente num campo de dunas.

Fonte: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/09/especialistas-decidem-aplicar-outra-injecao-letal-em-baleia-encalhada.html

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